Batismo de Sangue nos conta um
pouco da atividade de frades dominicanos que formaram em São Paulo, no final
dos anos 60, um forte grupo de resistência à ditadura militar. Com base em
ideais cristãos, os frades Tito, Betto, Oswaldo, Fernando e Ivo se envolveram com grupos de resistência estudantil e com a ALN.
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Em determinado momento o grupo se
divide e dois deles vão para o Rio de Janeiro, onde acabam sendo capturados por
oficiais. Nas mão do delegado Fleury, um dos torturadores mais citados da época
por conta da crueldade e frieza estratégica, os frades Ivo e Fernando foram
mantidos presos e torturados, ao ponto em que se viram obrigados a revelar
informações sobre as reuniões do grupo e localização de Marighella.
Freis originais no momento do julgamento.
Frei Tito também é preso e
Marighella acaba assassinado em uma operação comandando por Fleury e oficiais
do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), Frei Betto que havia se
refugiado no Rio Grande do Sul acaba sendo capturado e levado para ser
confinado com os outros frades. Após um tempo Frei Tito é levado, supostamente
para o DOI CODI (Destacamento de Operações e Informação – Centro de Operações
de Defesa Interna), onde foi torturado física e psicologicamente de maneira
extrema, chegando ao ponto de tentar suicídio, o depoimento que ele escreveu ao
voltar se espalhou pelo mundo como um documento símbolo da luta pelos direitos
humanos. Em 71 o grupo é então sentenciado a quatro anos de prisão em regime
fechado, apenas Tito está livre, pois estava em um grupo de 40 presos políticos
que foi solto em troca do embaixador Holleben, sequestrado em uma ação conjunta
entre a ALN e a VPR em 1970.
Infelizmente frei Tito, já em
exilio na França, não conseguiu superar o efeito psicológico consequente da
prisão e torturas realizada por Fleury e sua equipe. Ao que tudo indica e é
passado no filme, frei Tito acabou se suicidando em 1974, seu corpo foi
encontrado em uma árvore, suspenso por uma corda.
A atuação de Caio Blat como o Frei
Tito e Cássio Gabus Mendes como delegado Fleury, foram impressionantes, o filme
não representa todos os lados e informações da ditadura militar, mas mostra de
forma objetiva a atividade dos frades e as consequências do período de prisão e
tortura, mantendo o foco no livro de frei Betto, acredito que a produção é
bastante eficaz ao que se propôs fazer.
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O período da ditadura militar no
Brasil é algo doloroso e horrível de pensar, imaginar, mas é o tipo de coisa
que precisamos lembrar que ocorreu para impedir que se repita, é preciso
entender as verdades desse período para não se iludir com a frágil ideia de que
o pior acontecia apenas com quem era ativamente contra. Mas nós, que não vivemos aquilo, só sabemos essas coisas
através de registros e depoimentos, registros esses como o livro de Frei Betto,
que foi levado para o cinema por Helvécio Ratton.
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